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terça-feira, 16 de junho de 2009

Coronelismo, enxada e voto



Roubo este título a Victor Nunes Leal em seu memorável “Coronelismo, enxada e voto”, escrito há muitos anos, mas, ainda atual no governo Lula. O “coronel” era o dono da fazenda , do engenho ou o chefe político municipal. A “enxada” era o trabalhador . Este recebia seu pagamento em vales e os descontava na venda – de propriedade do coronel- para garantir sua subsistência Sempre devedor. O coronel garantia isto... A paga por esta benemerência –o emprego- o coronel cobrava na hora da eleição. Pensa que isto acabou? É só percorrer sertões nordestinos e grotões deste país.Interessante causo narrado pelo jornalista baiano Sebastião Nery, segundo ele verídico. Foi protagonizado pelo “coronel” Chico Heráclio do Rego,de Limoeiro, interior de Pernambuco. À época do episódio,votava-se em cédulas impressas, colocadas pelo eleitor num envelope, que era depositado na urna. O coronel reuniu seus empregados e lhes entregou, um a um, os envelopes fechados, com as cédulas de seus candidatos.Ai, era só ir a seção eleitoral e depositar o voto na urna. Um cabra mais ousado resolveu perguntar: “ O senhor pode me dizer, pelo menos , em quem vou votar coronel? A resposta foi ríspida: “Então cabra ignorante, tu não sabes que o voto é secreto” ? Com voto eletrônico pode parecer que o coronel morreu. Engano. Os “coronéis” continuam vivos. E, sabem quem é o grande “coronel” do Brasil atual? O Senhor Lula da Silva. Só que o engenho ou a fazenda é hoje muito maior: o Brasil todo. Para isto o Senhor Lula está, quase diariamente, em todos os rincões do país, dirigindo-se aos seus “cabras” E sabem qual é a “enxada”? O Bolsa Família, que hoje já alcança um terço da população brasileira. Já foi estendido aos sem terra do MST, moradores de rua, índios, quilombolas, e não se sabe se vai parar por aí.Que tem isto a ver com eleições? Vou comentar episodio que participei. Visitando o Maranhão, onde colaboro em programa assistencial, conversando com morador de área pobre, inscrito no Bolsa Família, perguntei sobre as futuras eleições. “Vou votar no Lula ou em quem ele indicar, porque senão vou ficar sem meu Bolsa Família. O candidato da oposição vai me tirar este beneficio”.Aí está.Alguma semelhança com as práticas do coronel Heráclio? Deixo a reposta aos leitores. Alias, esta táctica de atribuir aos adversários intenções falsas, não é privativa do Brasil. Em 1928 candidatou-se à Presidência dos Estados Unidos, o governador democrata do Estado de Nova York, Al Smith.A novidade era que, pela primeira vês nos Estados Unidos, se apresentava como candidato um católico. Os seus adversários fizeram campanha dizendo que Al Smith, se eleito, iria proibir a leitura da Bíblia nas escolas, o que era corrente no país de maioria protestante. Resultado: Al Smith foi fragorosamente derrotado. A mentira pegou.
Mas, isso era no tempo em que se propagava que, só podia vencer eleições nos Estados Unidos aquele que fosse “WASP-White, Anglo-Saxon and Protestant (Branco, anglo-saxão e protestante). 33 anos depois, em 1961, Kennedy católico se elegeu Presidente, derrubando o” “P” , e agora Obama, um negro, liquidou com o “W” , o”A” e o “S”.
Não receio que artimanhas do Senhor Lula garantirão eleição de seu candidato. O Bolsa Família pesará mais nas regiões pobres do Norte e Nordeste e, menos influencia no Sul-Sudeste.Alem do mais, Norte-Nordeste tem menos eleitores que o Sul-Sudeste. Basta que as oposições tenham melhor candidato que o governo.
Sou crítico do Bolsa Família , programa assistencialista que não indica saída para os beneficiários.E, os desvios para quem não precisa dele são freqüentes, como mostra o noticiário. A pobreza, no Brasil, é um problema serio e , só será diminuída com investimentos maciços em educação.Povo educado não passa fome.. E, não adianta o “coronel” Lula usar o Bolsa Família como “enxada”. Não estamos mais no tempo do “coronel” Heráclio. Alem do mais, em política, fico com Magalhães Pinto:
“Política é como nuvem: hoje está de um jeito amanha de outro”.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Eleições:voto facultativo ou obrigatório?



A forma de escolher nossos representantes é questão das mais importantes: voto deve ser facultativo ou obrigatório, como hoje temos no Brasil? Defensor do voto facultativo, vou tentar expor minhas razões. Se o voto é direito, e não obrigação, ninguém é obrigado a exercer direito que lhe é devido. Exerce-o se quiser. Vou socorrer-me da história do Brasil para justificar minha opção. Depois da Independência e durante o Império o voto sofria várias restrições. Só podiam votar os chamados “homens bons”, entendendo-se como homens bons àqueles que tinham certa renda. Eleições seguiam modelo complicado, em dois turnos, sendo que no primeiro escolhiam-se os chamados eleitores que elegiam deputados e senadores.Várias leis modificaram o processo eleitoral sendo a mais famosa, a lei Saraiva que instituía o voto por distritos, grande avanço.Mas, as eleições no Império eram uma farsa pois, os votos eram apurados pela mesa receptora, dando origem às famosas atas falsas em que os eleitos eram escolhidos pela oligarquia local, os “coronéis”.Mas, o que quero ressaltar é que o voto não era obrigatório. Nem poderia ser, dado o alto grau de analfabetismo então existente . A situação perdurou na chamada 1ª República até 1930.Atas falsas, e também voto não obrigatório.A grande mudança se realizou em 1932. Foi criada a Justiça Eleitoral, a qual cabia a apuração dos votos e, instituiu lisura nas eleições acabando com as atas falsas.Mas, juntamente com estas medidas veio também o voto obrigatório.Varias modificações foram sendo introduzidas no sistema de eleições, como votação por cédulas, cédula única, etc. terminando com a eficiente votação eletrônica, hoje usada. Mas o voto continuou obrigatório, que é contra censo que não se verifica nos paises mais adiantados.Mesmo porque as multas para quem não vota são irrisórias e, as justificativas necessárias para os que não votaram, só fazem aumentar a infernal burocracia existente no Brasil.
Mas a quem interessa o voto obrigatório? O “coronelismo” ainda presente em muitas regiões do Brasil. A este respeito, interessante é o caso narrado pelo jornalista baiano Sebastião Nery, segundo ele verídico, protagonizado pelo famoso “coronel” Chico Heráclio do Rêgo, de Limoeiro, interior de Pernambuco. À época do episodio, votava-se em cédulas impressas colocadas pelo eleitor num envelope fechado, que era depositado na urna pelo eleitor. O coronel Heráclio reuniu seus moradores e lhes entregou, um a um, os envelopes já fechados com a cédula do candidato de sua escolha. Ai era só ir à seção eleitoral e colocar a cédula na urna. Um cabra mais ousado resolveu perguntar: “O senhor pode me dizer, pelo menos, em que candidato. eu vou votar, coronel?A resposta foi ríspida: “Então cabra ignorante, tu não sabes que o voto é secreto”?
Com a votação eletrônica não será mais possível tal tática. Mas, perduram ainda muitos meios de pressão.Como o voto é obrigatório, muitos tem que votar para obter o certificado de votação, necessário para o Imposto de Renda, INSS,etc. e muitas outras exigências desta nossa burocracia infernal. E no interior deste Brasil, nos longínquos sertões, só o “coronel” pode fornecer para o votante, condução, merendas e outros “agrados”. Mesmo com a votação eletrônica há certas maneiras de se saber se os “cabras” votaram como quer o “coronel”. São, pois, os detentores destes currais eleitorais, infelizmente ainda existentes no Brasil, que tem interesse em manter o voto obrigatório. Precisam ter certeza de que seus candidatos serão eleitos para depois cobrar dos mesmos o favor prestado.
No Brasil, onde não ha eleições primárias, em que os candidatos são escolhidos pelas cúpulas partidárias, em convenções adrede preparadas, não votar pode ser uma forma de protesto contra os nomes apresentados. Mas, não votar deve ser a ultima escolha.Devemos sempre votar para que certos políticos não se reelejam, não sufragando seus nomes.Porque, como dizia Ciro Pellicano, publicitário brasileiro: “A maior contribuição que muitos políticos podem dar ao país é perder as eleições”