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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Desafios a vencer.

Desafios a vencer



Enquanto o Sr. Lula da Silva diz impropérios em discursos, bradando que seu governo é o melhor que o Brasil já teve, seria bom pensarmos nos grandes desafios que ainda temos a vencer para que sejamos nação de primeira linha. São muitos mas, vou tentar abordar aqueles que julgo essenciais, e que estão travando nosso pleno desenvolvimento.

Em primeiro lugar temos a má qualidade do ensino. Ha algumas boas escolas, em geral particulares.Mas o mais importante estágio, o ciclo fundamental, ministrado por nossas escolas públicas, está muito abaixo do mínimo desejável, não só pelas precárias instalações das escolas, como pela baixa qualidade dos professores, a maioria mal remunerada. Lembro-me de ver imagens de escolas primarias , no Nordeste, funcionando em baixo de pés de arvore, seu teto. Em alguns lugares do sertão nordestino, o aluno tem que andar quilômetros para chegar à escola. Bom ensino no grau fundamental é de importância primordial para formação futura do aluno.Daí a grande evasão de alunos . Menos de 50% deles chega ao grau médio.Fatores diversos como pobreza, necessidade de ajuda aos pais, desinteresse pelos estudos, pela má qualidade dos professores ,etc.,etc., são fatores preponderantes. O mesmo se dá no ensino médio, onde porcentagem ínfima alcança o nível universitário, mormente nos estados mais pobres como no Nordeste. O problema educacional, resultante da má qualidade do ensino ministrado, é pois o primeiro e mais importante desafio a vencer.

Passemos agora aos problemas da infraestrutura necessária para o escoamento da produção de bens e serviços produzidos.É outro desafio a vencer. Um pequeno exemplo. A soja produzida no Brasil, porteira da fazenda, tem preço 50% ( cinquenta) por cento inferior a do seu principal competidor no mercado mundial, os Estados Unidos. Porem quando chega ao porto de embarque, no porão do navio, iguala o preço. Porque? Péssimas condições das nossas rodovias e principalmente por termos optado pelo rodoviarismo em vez do transporte fluvial – 12 (doze) mais barato- e deixarmos sucatear nossas ferrovias, transporte cerca de 5 vezes mais barato que o rodoviário. Em pais que tem das maiores redes fluviais do mundo chega ser crime não aproveitá-la. Ou ignorância? Para não falar de nossos portos marítimos, quase todos com equipamentos obsoletos e sucateados .

Outro desafio é a violência urbana. Todas nossas grandes cidades enfrentam este problema que já é alvo de comentários no exterior. Este problema é agravado pelo alastramento do consumo de drogas, e também por.policias mal preparadas, mal pagas..É urgente uma ofensiva geral para vencer este desafio. A iniciativa do governo do Rio de Janeiro em criar as unidades de policia pacificadora- UPP, com batalhões permanentes nas favelas tem se revelado de grande eficácia. As favelas são resultado da falta de um programa de construção de habitações populares. Tínhamos o “Banco Nacional de Habitação” para este fim , mas que foi fechado pela “clarividência” do governo Sarney. Se não estava funcionado bem deveria ter sido melhorado e não fechado. O problema das favelas – foco da violência existente – resolve- se urbanizando- as e, colocando a policia a disposição dos seus moradores, como esta fazendo o governo do Estado do Rio.

E, para finalizar a serie de desafios a vencer, temos a corrupção na política. Os brasileiros estão cansados de ouvir falar em “mensalões”, “sanguessugas” e o mais recente caso escabroso do governador do Distrito Federal.As regras de eleição dos políticos tem que mudar. Não é possível eleger para representante do povo quem carrega nas costas vários processos judiciais. Reforma política é urgente para fazer funcionar este Presidencialismo à brasileira. Mas quem elege estes representantes? O povo que, devido à má instrução que recebe, escolhe mal.

Termino com Gamal Abdel-Nasser: “Construir fábricas é fácil, fazer hospitais e escolas é possível, mas formar uma nação de homens é tarefa longa e árdua.”

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Eleições:voto facultativo ou obrigatório?



A forma de escolher nossos representantes é questão das mais importantes: voto deve ser facultativo ou obrigatório, como hoje temos no Brasil? Defensor do voto facultativo, vou tentar expor minhas razões. Se o voto é direito, e não obrigação, ninguém é obrigado a exercer direito que lhe é devido. Exerce-o se quiser. Vou socorrer-me da história do Brasil para justificar minha opção. Depois da Independência e durante o Império o voto sofria várias restrições. Só podiam votar os chamados “homens bons”, entendendo-se como homens bons àqueles que tinham certa renda. Eleições seguiam modelo complicado, em dois turnos, sendo que no primeiro escolhiam-se os chamados eleitores que elegiam deputados e senadores.Várias leis modificaram o processo eleitoral sendo a mais famosa, a lei Saraiva que instituía o voto por distritos, grande avanço.Mas, as eleições no Império eram uma farsa pois, os votos eram apurados pela mesa receptora, dando origem às famosas atas falsas em que os eleitos eram escolhidos pela oligarquia local, os “coronéis”.Mas, o que quero ressaltar é que o voto não era obrigatório. Nem poderia ser, dado o alto grau de analfabetismo então existente . A situação perdurou na chamada 1ª República até 1930.Atas falsas, e também voto não obrigatório.A grande mudança se realizou em 1932. Foi criada a Justiça Eleitoral, a qual cabia a apuração dos votos e, instituiu lisura nas eleições acabando com as atas falsas.Mas, juntamente com estas medidas veio também o voto obrigatório.Varias modificações foram sendo introduzidas no sistema de eleições, como votação por cédulas, cédula única, etc. terminando com a eficiente votação eletrônica, hoje usada. Mas o voto continuou obrigatório, que é contra censo que não se verifica nos paises mais adiantados.Mesmo porque as multas para quem não vota são irrisórias e, as justificativas necessárias para os que não votaram, só fazem aumentar a infernal burocracia existente no Brasil.
Mas a quem interessa o voto obrigatório? O “coronelismo” ainda presente em muitas regiões do Brasil. A este respeito, interessante é o caso narrado pelo jornalista baiano Sebastião Nery, segundo ele verídico, protagonizado pelo famoso “coronel” Chico Heráclio do Rêgo, de Limoeiro, interior de Pernambuco. À época do episodio, votava-se em cédulas impressas colocadas pelo eleitor num envelope fechado, que era depositado na urna pelo eleitor. O coronel Heráclio reuniu seus moradores e lhes entregou, um a um, os envelopes já fechados com a cédula do candidato de sua escolha. Ai era só ir à seção eleitoral e colocar a cédula na urna. Um cabra mais ousado resolveu perguntar: “O senhor pode me dizer, pelo menos, em que candidato. eu vou votar, coronel?A resposta foi ríspida: “Então cabra ignorante, tu não sabes que o voto é secreto”?
Com a votação eletrônica não será mais possível tal tática. Mas, perduram ainda muitos meios de pressão.Como o voto é obrigatório, muitos tem que votar para obter o certificado de votação, necessário para o Imposto de Renda, INSS,etc. e muitas outras exigências desta nossa burocracia infernal. E no interior deste Brasil, nos longínquos sertões, só o “coronel” pode fornecer para o votante, condução, merendas e outros “agrados”. Mesmo com a votação eletrônica há certas maneiras de se saber se os “cabras” votaram como quer o “coronel”. São, pois, os detentores destes currais eleitorais, infelizmente ainda existentes no Brasil, que tem interesse em manter o voto obrigatório. Precisam ter certeza de que seus candidatos serão eleitos para depois cobrar dos mesmos o favor prestado.
No Brasil, onde não ha eleições primárias, em que os candidatos são escolhidos pelas cúpulas partidárias, em convenções adrede preparadas, não votar pode ser uma forma de protesto contra os nomes apresentados. Mas, não votar deve ser a ultima escolha.Devemos sempre votar para que certos políticos não se reelejam, não sufragando seus nomes.Porque, como dizia Ciro Pellicano, publicitário brasileiro: “A maior contribuição que muitos políticos podem dar ao país é perder as eleições”

sexta-feira, 6 de março de 2009

A Realidade Nordestina



Durante o carnaval aproveitei para reler a monumental obra de José Lins do Rego relativa ao Ciclo da Cana do Açúcar no Nordeste. Mais do que romances relatam o patrimonialismo então, ali existente. São livros preciosos para se entender a formação do patriarcado nordestino criado pela industria da cana. Com efeito, Menino de Engenho, Doidinho,Bangüê, Usina, Fogo Morto retratam com precisão a história do coronelismo no Nordeste e seus desdobramentos até os dias de hoje.Mostram a dureza da vida dos pioneiros daquela industria.Mas também mostram que a escravidão,à época, no Nordeste, não terminou com a Lei Áurea, com o sofrimento e injustiças sofridas por quem não era dono de terras. Vitor Nunes Leal em seu “Coronelismo, Enxada e Voto” e o recente “Família e Coronelismo no Brasil” de André Heráclio do Rego, esgotaram o assunto, razão porque me escuso comentá-lo com mais detalhes.O que me interessa são os reflexos que até hoje, o “ciclo da cana de açúcar” tem sobre a realidade atual nordestina, principalmente no estamento político e na governança pública, em geral.
Não sou nordestino, mas visito o nordeste, anualmente, por razões afetivas -tenho ascendentes pernambucanos- não só suas capitais como o interior. Bons amigos me põem a par do que ali vem acontecendo.Com eles, quando vejo refluxos de patriarcalismo, costumo brincar : vocês ainda estão no ciclo da cana de açúcar...
Mas, vamos à realidade atual. Continua a mesma e violenta desigualdade na distribuição de renda. Ausência de planejamento familiar, agravada pela posição retrógrada da igreja católica, no particular.Alto índice de mortalidade infantil Escasso e baixo nível educacional. Carência alimentar para maioria dos menos aquinhoados.
Complementando tudo isto, ainda remanescem na política alguns “coronéis” do ciclo da cana de açúcar.O currais eleitorais proliferam trazendo ao governo típicos representantes desse passado.Não é de espantar que vários governadores do Nordeste estejam na mira do Tribunal Superior Eleitoral, para possíveis cassações de seus mandatos e, o da Paraíba, acabou de ser cassado.
Mas, há também grandes melhorias. Ceará e Bahia têm conseguido grandes progressos na eliminação da mortalidade infantil.Centros industriais e agrícolas tem sido criados a exemplo dos portos de Pecem, no Ceará e, Suape em Pernambuco. Barreiras, no interior da Bahia, mostra quanto a agricultura moderna pode trazer ao desenvolvimento. Cidades litorâneas, aproveitando a beleza das praias, tem conseguido atrair investimentos estrangeiros na construção de hotéis de primeira linha, aumentando o turismo, esta grande industria. O barroco das igrejas extasia o visitante Isto gera empregos, o que é vital para a região.Acresce a tudo isto a grande contribuição nordestina ao artesanato popular e à musica popular brasileira, com suas casas de cultura e seus grandes interpretes musicais. Que o digam os baianos. Quem visita o Alto do Moura em Caruaru (PE), esbanja-se com a criatividade e beleza da obra do artesão.Mas, acima de tudo, o que mais aprecio em minhas visitas ao Nordeste é a cordialidade , a simpatia da gente nordestina, do mais pobre ao mais rico.
O Nordeste foi a região que mais sofreu com a retrograda colonização portuguesa. O açúcar trouxe a escravidão em grande escala com conseqüências até hoje sentidas.Muito ainda tem que ser feito em benefício da região, principalmente em obras de infra estrutura. Avulta ai a necessidade de levar água as regiões do semiárido e outras. O solo do Nordeste, quando devidamente irrigado, mostra sua produtividade. Exemplo: Petrolina e Juazeiro com suas magníficas plantações de uvas e até produzindo vinhos de qualidade. Por isto não entendo a oposição de , espantem-se, alguns nordestinos, ao projeto de transposição de águas do Rio São Francisco, projeto que venho defendendo há vários anos, e que retira do Rio no máximo 10% da água doce que joga no oceano. A estes lembro a região do sul da Califórnia (USA), onde chove menos que no Nordeste.Pois bem. Com a transposição das águas do Rio Colorado, que corre ao sul da região, e conseqüente irrigação da área, a Califórnia é hoje o pomar da América. Já imaginaram a multiplicação de “Juazeiros” e “Petrolinas” por todo o Nordeste?
Muito se poderá falar da realidade nordestina. Mas, para que o Nordeste atinja o sucesso que merece, quatro pontos básicos hão de ser satisfeitos: Máximo investimento em educação, boa infraestrutura, bom planejamento dos recursos disponíveis e, principalmente, gente competente para executar os projetos. O progresso virá em conseqüência.
---X---
Almirante, empresário, escritor.
Membro do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio
jcmacedosoares@attglobal.net>