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terça-feira, 7 de julho de 2009

Os homens procuram os seus iguais.

Eckermann, secretário do grande filosofo alemão Goethe, escreveu interessante livro “Conversações com Goethe”, do qual extrai o seguinte dialogo: “Veja Goethe, que sorte teve Frederico. (Referia-se a Frederico, o grande, da Prússia ) Que grande ministério conseguiu formar. Todos são grandes homens”. Ao que retrucou Goethe: “Sorte não, Frederico é um grande homem e só pode cercar-se de grandes homens” Porque, continuou Goethe: “Os homens procuram seus iguais”.
Relendo esta passagem não pude deixar de lembrar do senhor Lula e seus amigos:. José Dirceu, o chefe da quadrilha do “mensalão”, segundo o Procurador Geral da República; Jader Barbalho, preso por falcatruas na Sudam; Sarney e seus “esquecimentos” e “empreguismo” no Senado; Jucá, seu líder no Senado, coberto de processos, e por ai vai a longa lista.
Suas amizades com os populistas da América Latina, Chavez, Morales e Correa, que não tem outro objetivo senão perpetuar-se no poder, mostra seu próprio projeto de poder.
A verdade é que o projeto do PT foi sempre o de perpetuar-se no poder,uma vez o conquistando.Lula não foge à regra.Nunca sabe de nada que pode lhe envolver nas tramóias de seu partido.Não queria o 3º mandato? Acredite quem quiser.Grande cidadão do mundo? As nações desenvolvidas sabem insuflar o ego dos subdesenvolvidos para obter vantagens. Tenho experiência disto. Participei da várias negociações internacionais no campo da navegação internacional.O que me dizem dos 77 dias que passou fora de Brasília nos 6 primeiros meses deste ano?Em regime presidencialista o Presidente da República é o chefe da administração federal.Como controlar seus 37 ministérios estando ausente? É por isto que – só falando da infra-estrutura - as estradas estão esburacadas, os portos sucateados, os rios sem dragagens.O “PAC-Programa de aceleração do Crescimento” está empacado. O grande projeto da “Transposição das águas do São Francisco”, gerador de empregos,trazendo progresso para grande parte do sofrido Nordeste, segundo dados publicados, no ritmo atual das obras, levará 15( quinze) anos para ser concluído. E, a maioria das obras de infra-estrutura vão no mesmo ritmo. Falta de dinheiro?É possível. Tem que haver dinheiro para empregar os “companheiros”. Estou exagerando? É só verificar o aumento do custo da máquina governamental federal no governo Lula.
Parece que estou fugindo do tema principal.Mas, o grande teste de um chefe de qualquer organização, é saber escolher seus auxiliares Só assim conseguirá realizar com sucesso suas tarefas. Mas, para isto – saber escolher – ele precisa ter competência e, mais do que isto, estar preparado para discernir, entre a variedade de escolhas, quem tem capacidade ou não. Ai, então, que entra a afirmação de Goethe: os homens procuram seus iguais. Um Presidente como o Senhor Lula da Silva, praticamente sem instrução, sem nenhuma formação cultural, formado nas entranhas dos retrógrados sindicatos de empregados do Brasil – defensores desta obsoleta legislação trabalhista brasileira - só pode procurar para seus auxiliares principais indivíduos da mesma laia. E, proteger como estamos vendo agora, um seu igual: o Senador Sarney.
O Senhor Lula da Silva foi democrática e honestamente eleito Presidente da Republica e ,tem demonstrado respeito às instituições democráticas do país.Se a maioria do povo brasileiro o elegeu e o reelegeu é porque concordava com estes procedimentos.Cabe, entretanto, àqueles que não foram seus eleitores, como nós, expressarem seu descontentamento. Termino com mais esta perola do autor de Fausto: “O talento educa-se na calma, o caráter no tumulto da vida”.

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Senado no Império e na República

Os presentes escândalos que assolam o Senado, faz-me pensar no papel importante desta Casa Legislativa desde os primórdios de nossa Independência.Afonso de Taunay em sua obra “O Senado do Império”, nos dá completa descrição do funcionamento do Senado, à época.O Senado Imperial tinha mais ou menos as funções que o atual Senado: Câmara revisora e também iniciadora de leis Entretanto, a eleição de seus membros diferia totalmente dos dias atuais.O numero de senadores por província era igual à metade de seus deputados federais, o que dava preponderância aos Estados mais fortes e populosos.Eram eleitos em lista tríplice, das quais, o Imperador escolhia 1 ( um ) nome a seu bel prazer. Por ai se vê que nada de democrático havia nesta escolha. Alem do mais, com as eleições apuradas pelas mesas eleitorais, elegiam-se senadores quem o poder central e os oligarcas provinciais escolhiam. Senadores eram eleitos por províncias com as quais não tinham qualquer ligação. Mas, talvez porque o Imperador, sempre atento na escolha de nomes que representassem a honestidade, o saber e a cultura do país, o Senado do Império sempre foi o celeiro dos grandes nomes que foram à base das instituições brasileiras, à época. Para só citar alguns nomes que fazem parte da História do Brasil:Visconde do Uruguai, Visconde de Itaboraí, Eusébio de Queiroz, Teófilo Otoni, Paranhos, Nabuco de Araújo, e a lista seria tão extensa que não caberia neste espaço.De iniciativa do Senado partiram as grandes leis que moldaram nossa história, sobressaindo-se a maior de todas: a que aboliu a escravidão.
Chegamos à Republica. Modificação profunda. Com a eleição do mesmo numero de senadores por Estado - dois no inicio e agora três – O Senado passou à função nobre de representar a Federação , supostamente criada em 1891 e, até agora sem funcionar plenamente.Mas, foi um grande avanço, pois os Estados mais pobres podiam contrabalançar o poderio dos Estados mais poderosos. Em contrapartida os Senadores, eleitos pelos oligarcas dos Estados, muitas vezes não tinham o saber e a cultura necessários à função. Deixou de haver a banca examinadora do Imperador... Não que aprove àquele método, mas com o baixo nível educacional que imperava no país , e fácil imaginar o que resultava dos conluios entre os chefetes estaduais, na escolha da representação senatorial.Não que não fossem eleitos bons nomes durante estes primeiros anos da República mas, estes constituíam exceção.Mesmo hoje , quem poderemos citar como nomes que poderiam rivalizar, em influencia nacional, com aqueles do Império que mencionei anteriormente? Só se considerarmos como tal, os “ Calheiros”, os “Jucás” os “Sarneys” ,atuais chefetes do Senado.
Quem sofre com tudo isto é o pobre povo brasileiro, que não deixa de ter sua culpa, ao eleger para o Senado figuras tão “extraordinárias”. Tudo fruto do pouco investimento que temos feito em educação.
Aproveitando a oportunidade, quero deixar à recordação dos leitores este trecho de Senador Jarbas Vasconcelos em sua profética oração, há poucos dias, no Senado “De repente Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso , sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do Senador.(...) Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão”.Sem comentários...
O maior castigo que um político pode sofrer é não se reeleger Os eleitores devem se lembrar disto e não votar em nenhum dos atuais senadores quando se apresentarem para reeleição.Porque,mesmo os que não participaram, diretamente,das atuais falcatruas, sabiam o que estava acontecendo e nada fizeram. Foi preciso que a Imprensa denunciasse os escândalos. Funcionou o compadrio...
Pensando nos grandes escândalos que permeiam o governo Lula, como o “mensalão”, “sanguessugas”, “caixa dois dos partidos”- que Lula diz que é normal – entre outros , não posso deixar de lembrar o que aprendi na Marinha de Guerra, guardadas as devidas proporções:
“A eficiência de um navio é o reflexo da conduta de seu comandante” .


sexta-feira, 13 de março de 2009

Ética e Moral



O ilustre senador Jarbas Vasconcelos em entrevista à revista “Veja” (18/02/2009), deu corajoso depoimento a respeito da corrupção nos meios políticos nacionais. Vejamos alguns trechos:
“De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.(...)Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão”. E, a respeito do senador Renan Calheiros : “Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido” Referindo-se ao Presidente Lula ; “Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com a ética” .
Graves acusações que me fazem pensar no que significam ética e moral. Socorro-me da “Ética” de Spinoza, e da “Ética a Nicomaco” de Aristóteles.Em resumo, o termo ética tem sobre a moral, do latim “mores”, a vantagem de melhor precisar a relação entre a ação reta, o procedimento honrado, integro, e o caráter virtuoso. Ética é a arte de criar um caráter moral, de contrair hábitos de que resulte, naturalmente, um porte conforme as leis do dever. Aristóteles prega a virtude do espírito como característica da ética. Moral é aquilo que denota bons costumes, boa conduta, segundo os preceitos socialmente estabelecidos e aceitos pela sociedade.
Analisemos as acusações do Senador Jarbas. Como pode um Presidente do Senado aceitar a pecha de que não é compatível com a moralização? E não responde nada? Na voz do povo quem cala consente.O senador Jarbas diz também que Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão. Não estará enganado o senador Jarbas?O senador Sarney é senador pelo Amapá. Será que foi lá que ele construiu sua carreira política e nos não sabíamos?Ou isto será mais um engodo do senador Sarney? Fazer política no Maranhão e eleger-se pelo Amapá? O senador Sarney foi Presidente da República no difícil período da transição da ditadura para a democracia. E exerceu seu mandato com maestria, entregando o país ao seu sucessor em pleno regime democrático. Poderia,então, ter deixado a política e dedicar-se à tarefa de escritor que exerce com brilho. Mas, não o fez. Manchou sua biografia com estes entreveros.
Quanto ao senador Calheiros recuso-me perder tempo com esta figura dos grotões das Alagoas.Suas “estripulias” amorosas e suas relações com empreiteiros, forçaram-no a renunciar à Presidência do Senado, fatos que são do conhecimento de todos, e dão razão ao senador Jarbas Vasconcelos.
Mas, o mais grave de tudo refere-se á figura do Presidente da República. Sua Excelência é acusado de não ter com compromisso com a ética. Sintetizo Aristóteles:ética significa procedimento honrado, integro e caráter virtuoso. Então o Presidente da Republica é desonesto? Se não é verdade porque Sua Excelência não processa o Senador? A acusação é gravíssima. O presidente Lula é oriundo do meio sindical.Os sindicatos, no Brasil, com as exceções de praxe, são dos mais corruptos segmentos da organização trabalhista nacional. Recebem o imposto sindical e não prestam contas de seu uso.Alguns sindicatos são criados só para receber este imposto. Recentemente o Presidente Lula vetou dispositivo de lei que obrigava centrais sindicais prestarem contas ao Tribunal de Contas da União do dinheiro público recebido. O uso do cachimbo faz a boca torta.... Os fatos mostram que o senador Jarbas Vasconcelos pode não exagerar quando diz: “Lula não tinha nenhum compromisso com a ética.”
O grande perigo disto tudo é incutir no povo a idéia que a democracia pode subsistir sem o legislativo. Piores que sejam os componentes do legislativo- eleitos pelo povo, não se esqueçam – democracia não pode funcionar sem que o povo seja representado nas casas legislativas.Esta é a essência da democracia representativa.
Porque, por pior que seja a Câmara, ela é sempre melhor que a antecâmara de um ditador.